Gênero fluido, bissexualidade e não binarismo: famosos impulsionam luta por igualdade ao levantarem bandeiras

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Demi Lovato, Tyler Posey, Ludmilla, Miley Cyrus e outros artistas se posicionam e amplificam entendimentos.
DEMI LOVATO, TYLER POSEY, LUDMILLA, MILEY CYRUS E OUTROS ARTISTAS SE POSICIONAM E AMPLIFICAM ENTENDIMENTOS.

Junho foi o mês conhecido como Pride, onde celebra-se o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Com diversas siglas, os entendimentos sobre sexualidade ganham ainda mais projeção pela presença de famosos, que se posicionam quanto às suas vidas pessoais. Artistas como Demi Lovato e Lil Nas X tem ajudado a impulsionar os questionamentos sobre os diferentes tipos de realidade, o que é importante.

Com a abertura, o público passa a entender, não apenas a importância da sigla, mas o que significa, com pessoas de gênero livre, não-binários, transsexuais, bissexuais, entre outros.

Famosos

Demi Lovato, por exemplo, se entendeu recentemente como um ser não-binário. Ou seja, a cantorx não se identifica com os gêneros pré-existentes (masculino e feminino). O entendimento impulsionou o desenvolvimento de Demi, que já havia se assumido pansexual.

Anteriormente, outra ex-colega de Disney, Miley Cyrus também falou sobre sexualidade. Em entrevista à uma revista norte-americana, a estrela também se declarou pansexual.

“Quando entendi melhor o meu gênero, que não é definido, comecei a entender o porquê de não me sentir heterossexual nem homossexual […] Acho que o alfabeto LGBTQ poderia continuar para sempre. Tem um ‘p’ que deve existir, de ‘pansexual’”, explicou.

Sempre que alguém se posiciona quanto à questão sexual, é um processo de entendimento, mas também de auto-aceitação. Com a cantora Ludmilla não foi diferente. Em dezembro de 2019, a cantora se casou com a dançarina Brunna Gonçalves, com quem havia assumido um relacionamento. As duas renovaram os votos em viagem à Curaçao, na Colômbia, em junho de 2021.

Queridinho de “Teen Wolf“, o ator Tyler Posey é mais um dos artistas que tem se posicionado. Recentemente, em publicação nas redes sociais, ele falou sobre ser “gênero fluido”.

LGBTQIA+

O “+” significa uma infinidade de outras classificações que ajudam a impulsionar a luta por igualdade. Não apenas aceitação, é um processo humano de integração, onde cada indivíduo passa a se portar de acordo com seu entendimento sobre si mesmo e sobre o mundo.

Antes de falarmos abertamente sobre a sigla, é necessário entender algumas questões. Você sabe a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual?

Veja abaixo:

Identidade de Gênero: é a forma que a pessoa se entende como um indivíduo social.

Expressão de Gênero: é como o indivíduo manifesta sua identidade em público, a forma como se veste, sua aparência (corte de cabelo, por exemplo) e comportamento, independentemente do sexo biológico.

Sexualidade: está relacionada à genética binária em que o indivíduo nasceu: masculino, feminino e intersexual.

Orientação Sexual: tem a ver com o desejo de se relacionar afetiva e/ou sexualmente com outros gêneros. Em um ciclo natural, essa descoberta acontece entre a infância e o início da adolescência, mas, por preconceito e discriminação, ela pode ser bloqueada e até mesmo negada.

Siglas

Agênero: aquele que tem identidade de gênero neutra.

Andrógeno: é a pessoa cuja expressão de gênero transita entre os dois polos, homem e mulher. Em geral, o andrógeno usa roupas, corte de cabelo e acessórios, por exemplo, considerados unissex.

Assexual: aquele que não possui desejos sexuais.

Bissexual: pessoa que sente atração por homens e mulheres.

Crosdresser: oriundo do fetiche do homem de se vestir como mulher, o crossdresser usa roupas do gênero oposto ocasionalmente, mas não faz modificações permanentes.

Drag Queen/King: refere-se ao indivíduo que se monta de acordo com o gênero oposto para performances artísticas.

Gay: homem que sente atração sexual/afetiva por outros homens.

Gênero Fluido: pessoa que é ou se entende como mulher em algum momento da vida, homem em outro, e transita por outras identidades de gênero.

Intersexual: o termo substitui a palavra “hermafrodita” e define a pessoa que tem características sexuais femininas e masculinas – genitália e aparelho reprodutor.

Lésbica: mulher que sente atração sexual/afetiva por outras mulheres.

Não Binário: o não binário sente que seu gênero está além ou entre homem e mulher e pode defini-lo com outro nome e de maneira totalmente diferente.

Pansexual: atração sexual ou romântica por qualquer sexo ou identidade de gênero.

Queer: ao pé da letra, a palavra significa estranho e sempre foi usada como ofensa a pessoas LGBT+. No entanto, a comunidade LGBT+ se apropriou do termo e hoje é uma forma de designar todos que não se encaixam na heterocisnormatividade, que é a imposição compulsória da heterossexualidade e da cisgeneridade.

Travesti: pessoas que nasceram no gênero masculino, mas se entendem pertencentes ao gênero feminino, porém não reivindicam a identidade “Mulher”.

Transexual/Transgênero: é o indivíduo que se opõe, que TRANSgride e TRANScende a ideologia heterocisnormativa imposta socialmente. Pessoas que assumem uma identidade oposta ao gênero que nasceu, que sentem-se pertencentes ao gênero oposto do nascimento. Uma identidade ligada ao psicológico e não do físico, pois nestes casos pode haver ou não uma mudança fisiológica para adequação.

Cisgênero: é quando a identidade de gênero do indivíduo está de acordo com a identidade de gênero socialmente atribuída ao seu sexo.

Igualdade

Os diferentes discursos de famosos amplificam a luta por igualdade, uma vez que, com seus espaços, conseguem falar abertamente sobre as causas, promovendo discussões sobre diversos temas.

Frequentemente outros nomes como as drags Pabllo Vittar e Gloria Groove, além de artistas queer como Johnny Hooker e a cantora Liniker, se posicionam ativamente sobre os temas de aceitação. Liniker e Johnny, por exemplo, protagonizaram um beijo em uma apresentação conjunta no Rock in Rio, em 2019.

Outros famosos

Fora do mundo da música, é grande o número de famosos que tem amplificado a luta e discussões sobre o tema LGBTQIA+. Fernanda Gentil, a jogadora de futebol Marta e o ginasta Diego Hipólito são outras pessoas que falam abertamente sobre sua orientação sexual.

Recentemente, a Rede Globo lançou, no Dia Internacional do Orgulho LGBT, o documentário “Falas de Orgulho“. O projeto, que contou com participação de artistas como Majur, mostrou o dia a dia da população LGBTQIA+ e os desafios da sociedade brasileira em absorver e equalizar os indivíduos.

Violência

Embora a discussão esteja aumentando, o Brasil ainda registra números alarmantes de violência contra pessoas do meio. Atualmente, é o país que mais mata pessoas trans em todo o planeta, sinal que há ainda há muito a se expandir a nível de conversa sobre os valores de sociedade. À medida que a discussão aumenta e a população passa a ser mais orientada sobre inclusão, aceitação e união, a sociedade como um todo ganha.

Segundo um artigo publicado na versão brasileira da BBC, que analisou dados divulgados pela OAB, o nível de discriminação contra pessoas trans é tão alto no Brasil, que conta com grande percentual de evasão escolar.

“A cultura de violência e a discriminação contra esse grupo também resulta em uma alta taxa de evasão escolar – 82% dos transexuais não concluem seus estudos, de acordo com uma pesquisa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)”, diz o artigo.

Mais integração

Em grande parte, o papel das empresas e da sociedade em geral deve ser de integração, afinal, estamos falando de seres humanos que apenas buscam seu espaço no mundo. Podendo desempenhar todo e qualquer papel na sociedade, seja profissionalmente ou familiarmente, algumas empresas tem investido cada vez mais na integração, dispondo inclusive de vagas destinadas ao público LGBTQIA+ em geral. Não trata-se de cotas, mas de vagas que sejam disputadas em plena igualdade e que garantam que o indivíduo faça parte do meio.

Empresas multinacionais já garantes trabalhos inclusivos. A P&G, por exemplo, garante que em diversos setores sejam asseguradas vagas através da iniciativa PrideSkill.

Uma publicação da Revista Época detalhou o processo de publicação de vagas da empresa.

A proposta é que profissionais incluam o termo “pride” entre suas habilidades em perfis de redes profissionais, como o LinkedIn. Assim, empresas e recrutadores podem encontrá-los ao utilizar o termo na busca por candidatos a vagas de emprego. Um filtro também será lançado para que profissionais manifestem seu apoio à campanha em outras redes sociais.

Como parte da iniciativa, a P&G também firmou uma parceria com o projeto Transpor, que desenvolve ações com foco na empregabilidade de pessoas trans. A parceria envolve um aporte financeiro, de valor não divulgado, e o acesso a currículos para compor a base de candidatos às vagas da empresa.

Texto: Daniel Outlander

Foto: Reprodução / Instagram

Daniel Outlander

Daniel Outlander

Tenho 28 anos, sou jornalista e publicitário e Jovemnático! Amo música, cultura em geral, e assino a edição dos textos no site do Prêmio Jovem Brasileiro.

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